Kombucha: o que é, o que se sabe sobre os benefícios e como beber com segurança


A kombucha é uma bebida feita a partir de chá adoçado, fermentado com uma cultura de bactérias e leveduras conhecida como SCOBY. O resultado é uma bebida ligeiramente gaseificada, com sabor ácido e um aroma que lembra o vinagre de maçã. Tornou-se muito popular nos últimos anos, e com a fama vieram também muitas promessas exageradas. Vale a pena separar o que é razoável do que é publicidade.

Como se faz

Prepara-se chá (normalmente verde ou preto), adiciona-se açúcar e junta-se o SCOBY com um pouco de kombucha de um lote anterior. Durante uma a duas semanas, as leveduras transformam o açúcar em álcool e dióxido de carbono, e as bactérias convertem parte desse álcool em ácidos orgânicos, como o ácido acético. É por isso que a bebida fica ácida e com uma ligeira efervescência.

O que pode ter de interessante

  • Microrganismos vivos: a kombucha não pasteurizada contém bactérias e leveduras vivas. No entanto, as espécies variam muito de lote para lote, e não é correto assumir que funciona como um probiótico com efeito comprovado.
  • Compostos do chá: o chá de base fornece polifenóis, substâncias presentes também no chá simples. Parte do seu perfil mantém-se após a fermentação.
  • Alternativa a bebidas muito doces: se substituir refrigerantes por uma kombucha com pouco açúcar, o balanço do dia pode melhorar, simplesmente porque ingere menos açúcar adicionado.

O que a ciência ainda não confirma

Muitos textos falam em desintoxicação do fígado, reforço das defesas ou emagrecimento. Até hoje, a maior parte dos estudos foi feita em laboratório ou em animais, e os ensaios em pessoas são poucos e pequenos. Por isso, não há base para afirmar que a kombucha cura, previne doenças ou "limpa" o organismo. O corpo já tem o fígado e os rins para essa função, e nenhuma bebida os substitui.

Também a ideia de que melhora a digestão deve ser vista com cautela. Algumas pessoas sentem-se bem com ela, outras sentem desconforto, gases ou azia. A resposta é individual.

Cuidados importantes

  1. Açúcar: muitas marcas comerciais têm quantidades relevantes de açúcar. Leia o rótulo e prefira versões com menos açúcar.
  2. Álcool residual: a fermentação produz pequenas quantidades de álcool. Mesmo quando a bebida é vendida como sem álcool, pode haver vestígios, o que interessa a quem evita álcool por qualquer motivo.
  3. Acidez: por ser ácida, pode irritar o estômago sensível e, em consumo frequente, afetar o esmalte dos dentes. Beber com moderação e enxaguar a boca com água depois ajuda.
  4. Cafeína: como é feita com chá, contém alguma cafeína, em geral menos do que uma chávena de café.
  5. Fabrico caseiro: sem higiene rigorosa, pode haver contaminação por bolores ou bactérias indesejadas. Use recipientes de vidro bem lavados, nunca de cerâmica vidrada ou metal reativo, e deite fora o lote se vir bolor, que se apresenta peludo e colorido.

Quem deve ter mais atenção

Grávidas, mulheres a amamentar, crianças pequenas, pessoas com o sistema imunitário enfraquecido e quem tem doenças crónicas devem falar com o médico antes de a incluir na alimentação. O mesmo se aplica a quem toma medicação com regularidade ou tem diabetes, devido ao açúcar presente.

Como começar

Se quiser experimentar, comece com uma pequena quantidade, cerca de 100 a 150 ml, uma vez por dia, e observe como o seu corpo reage. Pode beber fria, às refeições ou entre elas, e dar-lhe um toque de sabor com rodelas de limão, gengibre ou fruta fresca.

Em resumo

A kombucha pode ser uma bebida agradável e uma alternativa a bebidas açucaradas, mas não é um remédio nem um atalho para a saúde. O que pesa de verdade continua a ser o conjunto: uma alimentação variada rica em fibra, boa hidratação, exercício e sono suficiente. Se tiver dúvidas sobre a sua situação específica, o médico ou o nutricionista são os melhores aliados.