Cancro da mama: fatores de risco, sinais de alerta e a importância do rastreio


O cancro da mama é um dos cancros mais frequentes nas mulheres e, embora seja raro, também pode surgir em homens. Outubro é tradicionalmente o mês dedicado à sensibilização para esta doença, mas a informação sobre prevenção e deteção precoce é útil durante todo o ano. Este artigo resume o essencial: o que aumenta o risco, que hábitos ajudam, que sinais justificam uma ida ao médico e porque é que o rastreio é tão importante.

O que é e porque surge

O cancro da mama resulta da multiplicação descontrolada de células anormais no tecido mamário, que formam um tumor capaz, em alguns casos, de se espalhar para outros órgãos. Não existe uma causa única. O risco depende de uma combinação de fatores, alguns impossíveis de alterar e outros relacionados com o estilo de vida.

Entre os fatores que não se podem modificar estão:

  • A idade: o risco aumenta ao longo da vida, sobretudo a partir dos 50 anos.
  • A história familiar: ter mãe, irmã ou filha com cancro da mama ou do ovário, sobretudo em idade jovem.
  • Alterações genéticas hereditárias, identificadas em consulta especializada quando há suspeita.
  • Fatores hormonais e reprodutivos: primeira menstruação precoce, menopausa tardia ou primeira gravidez depois dos 30 anos.
  • Tecido mamário denso ou antecedentes de algumas lesões benignas da mama.

Hábitos que ajudam a reduzir o risco

Nenhum hábito garante que a doença não aparece, mas há medidas com benefício reconhecido que, além disso, protegem a saúde em geral:

  • Manter um peso saudável, especialmente depois da menopausa, quando o excesso de gordura corporal se associa a um risco maior.
  • Fazer atividade física regular: pelo menos 150 minutos por semana de atividade moderada, como caminhada rápida, bicicleta ou natação, distribuídos por vários dias.
  • Limitar o álcool: o risco aumenta mesmo com consumos baixos, por isso quanto menos, melhor.
  • Não fumar e evitar a exposição ao fumo do tabaco.
  • Privilegiar uma alimentação variada, rica em legumes, fruta, leguminosas e cereais integrais, e pobre em produtos ultraprocessados e carnes processadas.
  • Amamentar, quando possível, também está associado a uma ligeira redução do risco.

Conhecer o próprio corpo: sinais de alerta

Observar e palpar as mamas com regularidade ajuda a perceber o que é normal em cada pessoa e a reparar mais cedo em mudanças. A melhor altura, para quem ainda menstrua, é uma semana depois do início do período, quando as mamas estão menos sensíveis. Deve procurar-se avaliação médica perante:

  • um nódulo ou espessamento novo na mama ou na axila;
  • alterações na forma, no tamanho ou no contorno de uma das mamas;
  • pele com aspeto de «casca de laranja», retração ou vermelhidão persistente;
  • mamilo que fica invertido de novo, com feridas ou com saída de líquido, sobretudo com sangue;
  • dor localizada e persistente que não está relacionada com o ciclo menstrual.

A maioria destas alterações acaba por ter uma causa benigna, mas só uma observação clínica e, se necessário, exames de imagem permitem esclarecê-lo. A autopalpação é um complemento e não substitui o rastreio.

Rastreio: porque é tão importante

A mamografia de rastreio consegue detetar lesões muito pequenas, antes de serem palpáveis ou de causarem sintomas. Quando o cancro é diagnosticado numa fase inicial, os tratamentos tendem a ser menos agressivos e as probabilidades de sucesso são muito maiores.

  • Idade e periodicidade: são definidas pelas autoridades de saúde de cada país. Em muitos programas europeus, as mulheres são convidadas a fazer mamografia de dois em dois anos a partir dos 45 ou 50 anos.
  • Risco aumentado: quem tem história familiar relevante ou outros fatores de risco pode precisar de começar mais cedo ou de fazer exames complementares, como ecografia ou ressonância magnética, segundo indicação médica.
  • Responder às cartas-convite do programa de rastreio e manter as consultas de rotina em dia são passos simples que fazem diferença.

Os homens não fazem rastreio de rotina, mas devem igualmente consultar o médico se notarem um nódulo ou outras alterações na zona do peito.

Em resumo

O cancro da mama resulta de vários fatores, alguns fora do nosso controlo e outros ligados ao estilo de vida. Manter um peso saudável, mexer-se pelo menos 150 minutos por semana, limitar o álcool e não fumar são medidas com benefício real. Conhecer o próprio corpo ajuda a identificar mudanças, mas é o rastreio regular, nas idades recomendadas, que permite detetar a doença numa fase precoce. Este artigo é informativo e não substitui a consulta de um médico ou de outro profissional de saúde.