Cerveja: quem deve ter mais cuidado e como beber com moderação


Uma cerveja ao fim do dia é um hábito comum, mas nem toda a gente a tolera da mesma forma. Para algumas pessoas, mesmo pequenas quantidades podem agravar problemas de saúde já existentes ou interferir com tratamentos. Fica um guia prático para perceber quando convém ter mais cuidado.

Diabetes e pré-diabetes

A cerveja contém hidratos de carbono, que o organismo transforma em glicose, e o álcool pode alterar a forma como o corpo regula o açúcar no sangue. Em quem toma insulina ou certos medicamentos, o álcool pode aumentar o risco de hipoglicemia, inclusive várias horas depois de beber. Se tem diabetes, beba apenas se o seu médico o permitir, nunca em jejum, e vigie a glicemia com mais frequência.

Doença celíaca e sensibilidade ao glúten

A cerveja tradicional é feita com cevada e, muitas vezes, trigo, ambos com glúten. Quem tem doença celíaca deve evitá-la por completo. Atenção também às cervejas sem álcool: muitas continuam a conter glúten. Procure rótulos que indiquem expressamente "sem glúten" e confirme com o seu médico ou nutricionista.

Síndrome do intestino irritável

O gás dissolvido na cerveja e os hidratos de carbono fermentáveis dos cereais podem provocar inchaço, gases e desconforto. Se notar que as suas queixas pioram depois de beber, registe os sintomas durante algumas semanas e fale com um profissional de saúde sobre o que faz sentido reduzir.

Problemas de fígado

O fígado é o principal responsável por processar o álcool. Quem tem hepatite, esteatose (fígado gordo) ou outra doença hepática deve seguir à risca a indicação médica, que muitas vezes é de abstinência total. Não existe uma quantidade "segura" que se possa generalizar neste caso.

Refluxo e azia

O álcool e a gaseificação podem relaxar a válvula entre o esófago e o estômago e estimular a acidez, favorecendo o refluxo. Se tem azia frequente, experimente beber menos, mais devagar e nunca perto da hora de deitar.

Quem quer perder peso

A cerveja fornece calorias que não saciam, e o álcool tende a abrir o apetite e a baixar a vontade de escolher bem. Acompanhamentos típicos, como petiscos fritos e salgados, acrescentam ainda mais energia. Não é preciso proibir, mas convém contar a cerveja como parte das calorias da semana.

Quem toma medicamentos

O álcool pode interagir com muitos fármacos, entre eles alguns antibióticos, ansiolíticos, antidepressivos, analgésicos e medicamentos para a tensão arterial ou para a diabetes. Pode reforçar a sonolência, irritar o estômago ou alterar a eficácia do tratamento. Leia o folheto informativo e pergunte ao médico ou ao farmacêutico.

Outras situações em que deve evitar

  • Gravidez e amamentação: não se conhece uma quantidade de álcool segura, pelo que a recomendação é evitar.
  • Condução ou máquinas: mesmo uma quantidade moderada afeta os reflexos.
  • Histórico de dependência alcoólica: o risco de recaída justifica abstinência e acompanhamento.
  • Menores de 18 anos: o consumo não é aconselhado.

Dicas para beber com mais cuidado

  • Beba água entre cada cerveja e coma antes e durante.
  • Estabeleça de antemão um limite e defina dias sem álcool.
  • Prefira consumir devagar, em vez de várias rondas seguidas.
  • Se a opção sem álcool ou sem glúten lhe convém, confirme sempre o rótulo.
  • Se tiver dúvidas sobre o seu caso, não adivinhe: pergunte.

Em resumo

Para a maioria dos adultos saudáveis, a moderação é a regra de ouro, e para alguns grupos o melhor é simplesmente não beber. O álcool não traz benefícios que não se obtenham de outra forma, por isso, se está em alguma das situações descritas, converse com o seu médico antes de decidir. Este artigo tem carácter informativo e não substitui o aconselhamento de um profissional de saúde.