Sinusite ou COVID-19? Como distinguir os sintomas e quando procurar ajuda


Congestão nasal, dor de cabeça, tosse e cansaço são queixas comuns a várias doenças respiratórias, o que torna difícil perceber, só pelos sintomas, se se trata de uma sinusite ou de uma infeção por COVID-19. Conhecer as diferenças ajuda a saber quando fazer um teste, quando consultar um médico e que cuidados adotar no dia a dia.

O que é a sinusite

A sinusite é uma inflamação da mucosa que reveste os seios perinasais, as cavidades cheias de ar localizadas à volta do nariz, por trás das maçãs do rosto e na testa. Quando esta mucosa incha, o muco deixa de drenar normalmente e acumula-se, provocando pressão e desconforto.

Pode ser aguda, quando dura menos de 4 semanas, ou crónica, quando os sintomas persistem por 12 semanas ou mais. As causas mais frequentes incluem:

  • constipações e outras infeções virais das vias respiratórias superiores, a causa mais comum;
  • infeções bacterianas, geralmente como complicação de uma infeção viral prolongada;
  • rinite alérgica não controlada;
  • exposição a poluição, fumo de tabaco ou ar muito seco;
  • alterações anatómicas do nariz, como o desvio do septo ou pólipos nasais.

Os sintomas típicos são dor ou pressão na face que piora ao inclinar a cabeça para a frente, nariz entupido, corrimento nasal espesso (por vezes amarelado ou esverdeado), muco a escorrer para a garganta, diminuição do olfato, tosse e, em alguns casos, febre baixa.

O que caracteriza a COVID-19

A COVID-19 é uma infeção causada pelo vírus SARS-CoV-2. A forma como se manifesta varia muito: há pessoas sem sintomas, outras com um quadro semelhante a uma constipação e outras, sobretudo idosos e pessoas com doenças crónicas, que podem desenvolver formas graves.

Os sintomas mais frequentes são febre ou calafrios, tosse, dor de garganta, congestão nasal, cansaço marcado, dores musculares e dor de cabeça. Também podem surgir perda súbita do olfato ou do paladar, falta de ar, náuseas ou diarreia.

Principais diferenças entre as duas

Os sintomas sobrepõem-se bastante, mas alguns sinais ajudam a orientar:

  • Dor facial localizada: a pressão nas maçãs do rosto, à volta dos olhos ou na testa é mais característica da sinusite.
  • Sintomas gerais: febre, dores no corpo e cansaço intenso são mais típicos de uma infeção viral sistémica como a COVID-19.
  • Perda de olfato: na sinusite costuma acompanhar o nariz muito entupido; na COVID-19 pode surgir de forma súbita, mesmo com o nariz desobstruído.
  • Falta de ar: não é habitual na sinusite e, se aparecer, merece avaliação médica.
  • Evolução: uma sinusite aguda costuma instalar-se depois de uma constipação e prolongar-se para além de 10 dias, ou piorar depois de uma melhoria inicial.

Convém lembrar que uma infeção viral, incluindo a COVID-19, pode deixar a mucosa nasal inflamada e favorecer uma sinusite nas semanas seguintes. Por isso, as duas situações podem surgir em sequência.

Como se faz o diagnóstico

Como os sintomas não permitem distinguir com segurança as duas condições, o diagnóstico depende de métodos diferentes:

  • COVID-19: confirma-se com um teste que deteta o vírus numa amostra recolhida do nariz ou da garganta, seja um teste rápido de antigénio ou um teste molecular (PCR), feito de acordo com as orientações das autoridades de saúde.
  • Sinusite: o diagnóstico é sobretudo clínico, baseado na história e no exame físico. Em casos persistentes ou recorrentes, o médico pode pedir uma endoscopia nasal ou uma tomografia computorizada; a radiografia simples já não é considerada um exame útil para este fim.

Deve procurar ajuda médica rapidamente se tiver falta de ar, febre alta persistente, dor de cabeça muito intensa, inchaço ou vermelhidão à volta dos olhos, alterações da visão ou confusão.

Cuidados de prevenção para o dia a dia

Algumas medidas simples reduzem o risco de infeções respiratórias e de sinusite:

  • lavar as mãos com frequência, durante pelo menos 20 segundos, sobretudo antes de tocar no rosto;
  • usar máscara em locais fechados e movimentados quando houver sintomas respiratórios ou em períodos de maior circulação de vírus;
  • manter a vacinação em dia, de acordo com as recomendações em vigor;
  • arejar a casa todos os dias, durante 10 a 15 minutos, e evitar o fumo de tabaco;
  • beber água ao longo do dia para manter as secreções mais fluidas;
  • evitar mudanças bruscas de temperatura e não ficar com roupa molhada depois do treino ou da chuva;
  • procurar acompanhamento para a rinite alérgica, já que a inflamação nasal persistente favorece a sinusite.

Em resumo

Sinusite e COVID-19 partilham vários sintomas, mas a dor facial localizada aponta mais para a sinusite, enquanto febre, dores no corpo, cansaço marcado ou perda súbita do olfato fazem pensar numa infeção viral. Perante a dúvida, um teste esclarece a presença do vírus e um médico avalia a necessidade de outros exames ou tratamento. Este artigo é meramente informativo e não substitui a consulta de um profissional de saúde.